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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Xirê dos Orixás, parte IV - Última.

Finalmente, o quarto Elemento, o Ar. Nele estão presentes os Orixás:
Iansã

- Iansã;
Irôko / Tempo
- Tempo/Irôko;
- Ifá;
- Oxalá.




A água, durante o processo de evaporação, se desintegra em minúsculas partículas que ganham movimento, fazendo parte essencial no Ar. Tanto o ar que respiramos, a brisa suave que nos acaricia os rostos, como o outro, que se apresenta na forma do vento furioso dos furacões.

Nos ventos, quem trabalha é Iansã.
Esse vento que também será responsável pela expansão, leva as sementes que germinarão em novas terras com a marca registrada da liberdade, que vai a qualquer direção, que passa por qualquer obstáculo.
Ifá / Orunmila-Ifá
Oxalá

Em sua ação, produzirá muitos segmentos que somente serão percebidos mais futuramente; entra aí, a ação do Orixá Tempo (ou Irôko), esse, responsável por insondáveis mistérios que podem transformar-se em grande sabedoria, com um acúmulo histórico de conhecimento que nos dá o contorno vivencial, que chamamos de destino, à cada um de nós. É onde trabalha Ifá.

Extremamente sutil é o resultado desse processo quando se encerra então com a dimensão maior do amor, sua expressão final como ternura, onde reina Oxalá.





Agradeço pela leitura, espero que tenho sido útil. Para ver os três últimos Xirês, basta clicar na tag "Xirê dos Orixás" logo abaixo.

Asé a todos! 

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Xirê dos Orixás, parte III



Nanã Buruku

O Elemento Água. E as águas vão rolar por entre nossos olhos colocando-nos à frente das nossas emoções. Regendo esse Xirê, temos:
Oxum

- Nanã;
- Oxum;
- Iemanjá;
- Ewá.

A água, depois de penetrar a terra e transforma-la em lama, vai agora brotar pura e límpida. São as nascentes dessa água, as fontes de água pura, local onde Nanã trabalha. Essa água fruto do ventre de Nanã vai correr doce e suave, depois, mais fortemente pelos rios, perante o trabalho coordenado da ação de Oxum. E dali, como todos os rios caminham até o mar, a água vai para o domínio de Iemanjá, no mundo salgado dos mares, com sua enorme diversidade de vida ali presente. E, finalmente, em algum momento vai evaporar, sendo a evaporação regida por Ewá.
Iemanjá
Ewá





Nossas emoções, são as nossas águas, que se apresentam puras e límpidas quando nascem e correm pelos campos propiciando o surgimento de tantas cidades, nas margens desses “rios”, ou, se fizermos a analogia, fazendo a junção com as nossas realidades buscadoras, colocando nossa razão emparelhada ao afeto e assim trazendo as nossas paixões, nosso desejo de criar o que é nosso, fazendo assim com que deixemos a nossa marca nessa vida. Essas são as nossas emoções... Que em momento devido vão nos ajudar a transcender valores e partir para novas dimensões ainda não descobertas.




Próximo post, quarta e última parte do Xirê dos Orixás, com o Elemento Ar.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Xirê dos Orixás, parte II

Continuando o Xirê dos Orixás, falarei hoje sobre o Elemento Terra e seus quatro Orixás regentes desse Xirê, sendo eles: 
Oxóssi
Obaluayê

- Obaluayê;
- Oxóssi;
- Ossain;
- Obá.

Aquela pedra vulcânica que encerrou o Elemento Fogo passa por uma natural transformação, vai virar o chão empedrado e duro, a terra mais seca que pode existir. Ali, nesse processo mutatório, teremos a atividade de Obaluayê. Uma terra tão seca, que ao entrar em contato com o Elemento Água, transforma-se em vida nas suas formas mais belas de serem vistas. Os animais, os vegetais... Esse é o reino de Oxóssi.
Ossain
Então, formam-se as grandes matas, desde vegetações rasteiras às mais altas e grandiosas árvores, trazendo dentro de cada uma delas o encanto de ervas e flores preciosas, onde quem manda é Ossain. Após o domínio completo das florestas, encontraremos uma terra com alto teor de água em suas entranhas, tendem a ficar encharcadas, virando lama, a terra mais molhada possível, onde quem atua é Obá.

Obá
Quantas vezes dizemos a expressão “Tem que ter os pés no chão!” para nos referirmos à realidade nua e crua, tal como o chão batido e seco, que parece arder sobre o sol fustigante, que é por onde devemos passar utilizando da nossa razão como veículo motor. E é sobre essa terra que construímos nossas edificações, sejam elas de ordem material como nossas casas, ou sejam elas de ordem espiritual, como nossos estudos, ciência e desenvolvimento de potencialidades, sendo estas três últimas que nos darão maior sustentação; permitindo-nos buscar com elas o nosso sustento.


Para o próximo post, continuarei o Xirê dos Orixás falando sobre o Elemento Água

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O Xirê dos Orixás

Orixás (ou Òrìsàs, em Yorubá) são os "guardiões" dos elementos da natureza, representam todos os domínios na Terra, chamada Aye. Eles são apenas energia, não tem forma, não tem cor, sua evolução é tanta que eles se dissiparam no Universo e hoje são apenas pura energia e Àse (Pronuncia-se "Axé", que é a energia espiritual ligada às forças do Plano superior).

O Xirê é uma sequência de toques e cantos para cada Orixá. Esse texto leva o nome de "Xirê dos Orixás" pois conta, de forma 'romanceada', a participação dos Orixás na vida terrena.


O Xirê dos Orixás se constitui a partir da combinação dos quatro elementos básicos e suas dezesseis qualidades. Em cada elemento: Fogo, Terra, Água e Ar, contém quatro Orixás em permanente comunhão.
Ogum

Elegbara / Exú
No elemento Fogo, temos:
- Elegbara;
- Ogum;
- Oxumaré;
- Xangô.

Podemos pensar que em Elegbara, temos a representação do fogo, o centro da Terra, o magma, seu ponto mais elevado de temperatura, que após receber o movimento de Ogum, pode ser visto quando expelido nas erupções dos vulcões e então, se compõe e organiza-se nos rios de lava que escorrem pelas paredes montanhosas em Oxumaré, chegando à cristalização das pedras vulcânicas, em Xangô.

Xangô
Mas, também, podemos entender que é em Elegbara que encontramos o início criador de nossa inventividade, nossa libido para o surgimento do novo que ganhará resistência criativa a partir da movimentação feita em Ogum, podendo ser perfeitamente qualificada e organizada em Oxumaré, para receber a finalização, a arte final, em Xangô.

Oxumaré
Essas quatro qualidade do fogo podem ser classificadas em todos os processos criativos:
- O início gerador que estabelece o objetivo;
- O movimento em direção do seu estabelecimento;
- O caminho que se desenha para a organização, para que o objeto possa ser concretizado;
- E, finalmente, a concretização em si.




No próximo post de minha autoria, continuaremos o Xirê dos Orixás, comentando sobre o Elemento Terra.

Um grande abraço à todos.