terça-feira, 16 de abril de 2013
Átomos
E a cada vez que ele o admira, seu coração confessa, receoso, não saber o que dizer.
Seu cérebro se embaralha e suas sinapses congelam.
e quando se beijam, fazem-lo tão fortemente que por um segundo desejam
que cada átomo que compõe os tecidos sensíveis de seus lábios se partam
e se fundam.
Porque a deliciosa dor de terem dois corpos distintos não apaga o inegável
e inexorável fato
de que um dia suas almas foram uma, única.
mesmos átomos, mesmas cores, e o mesmo e único Deus.
caminhos distintos e tortuosos tornam-se um só caminho.
Every bump in the road is a butt conditioner
Alguns padrões se repetem
e se repetem porque gostam de se repetir, diga-se de passagem.
Entretanto alguém tem de fazê-los parar.
Se pela enésima vez algo se repete com você, você está fazendo algo errado.
Como quem bate a cabeça na parede repetidamente, helpless
... errado de novo.
Cada experiência acaba sendo única. E mesmo sem arrependimentos coisas ruins acontecem.
e se repetem porque gostam de se repetir, diga-se de passagem.
Entretanto alguém tem de fazê-los parar.
Se pela enésima vez algo se repete com você, você está fazendo algo errado.
Como quem bate a cabeça na parede repetidamente, helpless
... errado de novo.
Cada experiência acaba sendo única. E mesmo sem arrependimentos coisas ruins acontecem.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Até há pouco, todos aqui na Terra, tínhamos um grande medo
Que depois de ter experimentado sozinho o calor da Bomba H,
O Japão iria se vingar com tecnologia silenciosa
Melhor e mais barata. Menor e mais bonita
Um dia fui abrir pra ver como era dentro
Meu amplificador valvulado, americano legítimo
Fiquei estarrecido ao perceber
Que metade das peças eram japonesas! "É o começo do fim!"
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=xDEpGk5GJ0I
Que depois de ter experimentado sozinho o calor da Bomba H,
O Japão iria se vingar com tecnologia silenciosa
Melhor e mais barata. Menor e mais bonita
Um dia fui abrir pra ver como era dentro
Meu amplificador valvulado, americano legítimo
Fiquei estarrecido ao perceber
Que metade das peças eram japonesas! "É o começo do fim!"
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=xDEpGk5GJ0I
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Crônicas Coloridas VI
VI- Sombra
Um corredor longo, imundo, mal iluminado. Fedia a uma mistura de mofo e mágoa derretida. Pelas paredes retratos tortos e manchados pendurados, recentes, mas comprometidos pelas bactérias e fungos das invejas e do ciúmes.
O amarelo sujo enferrujado do recalque pinta as paredes, e ele o perceberia se não estivesse sempre envolto na esfera escura de auto piedade e solidão que lhe devora.
Procura desesperadamente algo que faça a dor parar, vasculha seus discos rígidos, seus episódios, seus livros, em vão. Não há força neste mundo poderosa o suficiente para entrar em sua esfera. Tirá-lo de lá seria ainda mais difícil.
De longe uma sábia senhora o observa, se perguntando quanto tempo será necessário para que ele perceba que daquela esfera basta um passo, daquele quarto basta atravessar a porta, daquele corredor basta que o atravesse. A felicidade é uma porta, a maçaneta é a vontade.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Automóvel
A nossa vida cabe dentro de um carro.
Você se vai e o que resta?
Se você morre, tirando o corpo, o que sobrou?
Um monte de tranqueiras...
Roupas, uns cremes, uma escova de dentes, uns perfumes, livros...
E depois que o útil for doado, o inútil cabe dentro de algumas caixas, e lá se vai um carro, e a sua vida dentro.
Se você for rico o carro será maior, os detalhes mais bem cuidados e vai ter mais gente fingindo que se importa...
Mas, via de regra, tudo o que você é, tudo o que te representa cabe em um automóvel.
Sempre terá, é claro, o amor de quem realmente se importava.
Mas a morte é uma dor, e quando a ferida cicatrizar o amor seca. Logo se transforma em uma saudade, que desfoca e vira uma distante lembrança, um borrão...
Você não passa de um borrão,
um borrão com um sorriso pequeno, quase imperceptível.
Niyemayer estava certo. A vida é um sopro.
Mas ele projetou Brasília. E você deixou o que?
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Crônicas Coloridas V
V_ Peter
Desliga o carro, tira a chave da ignição, retira o rádio do painel e guarda-o no estojo enquanto respira fundo, o tempo está passando e essas noitadas vão ficando cada vez mais curtas, mais cansativas, mais difíceis. Sabe, mas não admite.
Qualquer um que o visse classificaria-o rapidamente como lindo, bonito, "boa-pinta" ou qualquer coisa que o valha, alto e com músculos definidos, frutos de muito esforço e dedicação, maxilar com linhas claras e retas, quase quadrado, cabelo na moda e olhos verdes que fariam qualquer 'bibinha' declarar-se apaixonada instantâneamente, amor miojo.
E não importava o que os outros diziam, estava convencido de ter nascido na década errada. Nunca se deu bem com os gays da sua idade, exceto um amigo aqui e acolá, passou desapercebido pelos vinte anos, não frequentava qualquer lugar 'gls' nos anos 90 e nutria um ódio profundo pela música techno 'putz-putz' que reinava na época.
Nessa noite vai a uma balada com alguns amigos, nenhum deles nascido antes de 92, não é nenhum iludido, tem seu MBA e sabe muito bem aonde está pisando e é plenamente consciente das diferenças que os unem. Mesmo assim, não se conforma com calmarias ou supostos relacionamentos sérios, pra ele gays são sempre jovens, sexo é sempre a primeira coisa da lista, e o saldo de beijos no fim da noite ainda é mais importante do que a qualidade de qualquer um deles.
Identifica um dos amigos na fila e volta a si, sai do carro e o acompanha, logo estará dançando e disparando olhares fulminantes, que são sempre bem recebidos. Curiosamente a casa noturna se chama Terra do Nunca e o apelido de seu amigo é 'sininho'. Enquanto passava pela revista do segurança sentia um metal gelado e frio, curvo e afiado tocar sua pele. Se assusta, procura pela origem daquela sensação, em vão. A vida as vezes se disfarça de conto de fadas.
sábado, 3 de novembro de 2012
Sobre o tempo
Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta tempora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sobra franca
E em feixe atado agora o vejo trigo seguir o carro,
A barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo à dura prova?,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascer a graça nova.
Contra a foice do tempo é vão combate
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate
SHAKESPEARE, William.
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